terça-feira, 12 de julho de 2011

A Evolução da capoeira no Mundo: Caminhos de "esterilização" da arte para "fertilização" do negocio


O reconhecimento da capoeira na atualidade se depara com seu mais difícil paradigma, pois a mesma precisa conviver com um processo de transformação que, na maioria das vezes, só justifica-se por parâmetros que negligenciam princípios de ancestralidade, oralidade, aprender fazendo, dentre outros, que são encarados por seus praticantes como ultrapassados e/ou utilizados unicamente nos discursos eloqüentes dos ``tiranos comandantes`` disfarçados de mestres. Neste sentido, nos propomos a refletir sobre algumas questões que tentarão nos aproximar de alternativas para dialogarmos com a tão famigerada ``evolução`` da capoeira, apelidada em nosso tempo equivocadamente de capoeira Contemporânea.

Inicialmente quero tratar especificamente da terminologia, que já de inicio apresenta-se erroneamente, pois faz referencia, considerando a grande maioria de capoeiras de senso comum, a um estilo que se distanciaria da Angola e da Regional, propondo uma mescla dos dois estilos anteriores, mesmo convivendo no mesmo período histórico, ou seja, representando uma pretensa evolução técnica e etc. Assim, se desta forma for encarada, seu nome correto talvez devesse ser capoeira Futuro, Avançada, Espacial..... Sei la.... E não Contemporânea, pois isso representa algo que convive em mesmo período.

Histórica Histórica Um outro ponto contraditório apresenta-se quando definimos esta nova capoeira ``moderna`` como algo inusitado, futurístico, pois sua própria origem esteve sempre atrelada no discurso de que a mesma foi forjada a luz da Angola e da Regional baiana e sendo assim, o correto seria dizer que a mesma simplesmente tentou juntar o que vivia separado, fato que representaria uma grande incoerência, pois sabemos que quando investigamos a capoeiragem mais detalhadamente e criticamente, percebemos que o trabalho capitaneado por Bimba e por Pastinha possuíam muito mais semelhanças do que diferenças, pois os mesmos foram fruto da historia de um determinado local em um tempo especifico.

Sobre a técnica desta capoeira evoluída, o que temos visto são conseqüências desastrosas, considerando o grande numero de lesões, a violência com pouca belicosidade e ainda as atrocidades com relação à biomecânica dos movimentos, pois estes alem de não respeitarem os limites articulares e fisiológicos, ainda propõem uma pratica completamente distanciada da estética ancestral da capoeira, visto que os capoeiras deste estilo ``evoluído`` mais se aproximam de ginastas ou acrobatas de circo com pretensões de luta, transformando o jogo em um espetáculo grotesco, pois não conseguem fazer bem nem a ginástica nem tão pouco a luta.

A musicalidade na capoeira tem papel fundamental, pois dela se desencadeia boa parte do processo “ritualístico”, ou seja, é a partir da musicalidade que os movimentos são executados, os instrumentos são tocados e as cantigas entoadas, contudo atualmente nos grupos intitulados de capoeira Contemporânea, observamos uma linearidade melódica que não contempla as variantes ancestrais africanas, com letras ceifadas de seu conteúdo para reflexão, que já não cumprem tão bem o papel da oralidade e sua documentação da historia humana por contos e cantigas. Assim temos percebido que os instrumentos e as cantigas pouco a pouco tem perdido sua função ritual na roda, pois os praticantes alem de não valorizarem e desenvolverem esta parte do aprendizado, não conseguem decodificar a influencia da musicalidade na pratica, negligenciando o papel fundamental desta no desenvolvimento da roda.

A ladainha não arrepia mais, o cantador não se emociona, as cantigas não tratam do universo simbólico da capoeiragem e ainda a forma de cantar tem sido ``plastificada`` e embalada para vender, criando um exercito de cantadores ``copias de alguém famoso``, e se não bastasse isso, as pessoas ainda não conseguem perceber que o mesmo acontece por toda parte no modo de produção capitalista, pois todos querem parecer com os modelos vendidos pela mídia, idiotizados pela propaganda e aumentando o lucro dos ``grupos produto``, como um grande Big Mac vendido na esquina de qualquer grande centro.

Em relação aos aspectos filosóficos, temos nosso maior abismo, basta observar os bonecos de vídeo game que representam os capoeiras, sempre musculosos, com movimentos robóticos, com uma negritude estereotipada, e ainda com golpes previsíveis e não característicos, negando os fundamentos difundidos pelos antigos mestres da Bahia.

Soma-se também a este conflito simbólico uma serie de situações organizacionais nos grupos de capoeira, aproximando-os administrativamente de empresas e distanciando cada vez mais das praticas humanas e necessidades da capoeiragem em sua trajetória, pois os mestres se transformaram em patrões, as rodas em shows, o conhecimento em produto de venda, as pessoas em números de matricula e sua filosofia em trabalhos acadêmicos de pessoas que nunca sujaram as mãos fazendo Au.....

Lamentável, mas esta tem sido a realidade que tenho encontrado em muitas partes do mundo em nossas viagens com a capoeira, e para piorar, se não bastasse tudo isso, tenho percebido, com o passar dos anos, que os poucos cabelos que ainda me restam estão ficando brancos e que a grande parte dos capoeiras acreditam que nossa arte esta em seu curso natural, como se alguma força alienígena controlasse estas mudanças, não sendo necessário refletir sobre as mesmas e só segui-las.

Quero propor com estas palavras, que não são verdades absolutas e sim um desabafo ingênuo de um capoeira da Bahia, que existem sim alternativas e estas estão ao alcance de todos aqueles que investigarem a matriz ancestral da capoeira e seus representantes mais antigos, observando a forma como jogam, sua fala, como lidam com os instrumentos, seus códigos filosóficos e acima de tudo como vivem, mesmo não fazendo parte do espetáculo futurístico da capoeira Contemporânea.

Sugiro uma busca na década de trinta e seus princípios metodológicos para trato com a Educação Física, pois la encontraremos as bases desta dita capoeira evoluída, comprovando que a mesma não possui nada de moderno e sim uma adaptação mal feita para na atualidade atender as demandas do capital, considerando a dicotomia corpo/mente e o processo de adestramento pelas seqüências de ensino idiotizantes, atrofiando o senso critico e favorecendo o negocio dos mega grupos e seus mestrões.

Despeço-me pedindo força ao Grande Arquiteto do Universo e perdão pela possibilidade de minhas palavras ofenderem camaradas ainda não despertos para as armadilhas desta capoeira mercadorizada, espetacularizada e muito distante das necessidades de aprendizado para evolução da humanidade.



"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Nemo Nox

Jean Adriano Barros da Silva

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O samba de Roda


O samba de roda, como o próprio nome diz, se caracteriza por uma roda em que as mulheres, e também os homens, começam a sambar de tal forma, que todos os capoeiristas presentes acabam entrando no samba. As rodas são sempre animadas e cheias de alto astral e nelas, as mulheres mostram toda sua sensualidade de uma maneira graciosa. Geralmente, o samba de roda começa após o encerramento das rodas de capoeira gerando a descontração de todos.
Na Bahia, o samba de roda é feito em diversos lugares e ocasiões, porém, são muito comentadas aquelas que acontecem nas festas de largo de Salvador.
Em alguns terreiros de samba de candomblé como o da Mãe Alice (na Bahia), o samba de roda pode ser visto e apreciado na sua forma mais tradicional. As famosas baianas da Mãe Alice como Nita, Edinha, Marinalva, Joselita, entre outras, fizeram parte da chamada TURMA DE BIMBA, nos anos 50 e 60.

Curiosidades:
A orquestra do samba de roda é composta por pandeiro, violão, chocalho e prato de cozinha arranhado por uma faca.
Samba é uma palavra provavelmente procedente do quimbundo semba e significa umbigda, empregada para designar uma dança de roda popular no brasil. Músicas essas dançadas pelos escravos e que desenvolveram-se-se em uma área que vai desde o Maranhão até São Paulo. Receberam, em cada Estado brasileiro, um nome diferente e um jeito diferente de ser tocadas. Dos nomes e das ramificações desse ritmo africano temos hoje o tambor de crioula no Maranhão; o bambelô no Rio Grande do Norte; o coco, o milindo, o piaui e o samba no Ceará e na Paraíba; o coco de parelha trocada, o coco solto, o troca parelha ou coco trocado, o virado e o coco em fileira em Pernambuco; o samba de roda e o batebaú na Bahia; o jongo, o samba-lenço, o samba-rural e o samba de roda em São Paulo; o caxambú, o jongo, o samba e o partido alto no Rio. Desde 1870, o cruzamento de influências entre o lundu (origem africana), a polca, a habanera, o maxixe e o tango começou a produzir um tipo de música que tendia ritmicamente para o samba. Há muitas variantes de samba por todo o brasil. O samba paulista é famoso pela dança de solista em centro de roda e tem como instrumentos as violas, os adufes, os pandeiros. No Rio de Janeiro o samba era inicialmente dança de roda entre os habitantes dos morros. Foi daí que nasceu o samba urbano carioca, espalhado hoje por todo o brasil, e que tem como instrumentos padrão o tamborim, o violão, o pandeiro, o cavaquinho, a cuíca, o surdo, as caixas etc.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A História do Maculelê



Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, cidade marcada pelo verde dos canaviais, é terra rica em manifestações da cultura popular de herança africana. Berço da capoeira baiana, foi também o palco de surgimento do Maculelê, dança de forte expressão dramática, destinada a participantes do sexo masculino, que dançam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em dialetos africanos ou em linguagem popular. Era o ponto alto dos folguedos populares, nas celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2 de fevereiro), a santa padroeira da cidade. Dentre todos os folguedos de Santo Amaro, o Maculelê era o mais contagiante, pelo ritmo vibrante e riqueza de cores.

Sua origem, porém, como aliás ocorre em relação a todas as manifestações folclóricas de matriz africana, é obscura e desconhecida. Acredita-se que seja um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais de Santo Amaro, e que passara a integrar as comemorações locais. Há quem sustente, no entanto, que o Maculelê tem também raízes indígenas, sendo então de origem afro-indígena.

Conta a lenda que a encenação do Maculelê baseia-se em um episódio épico ocorrido numa aldeia primitiva do reino de Ioruba, em que, certa vez, saíram todos juntos os guerreiros para caçar, permanecendo na aldeia apenas 22 homens, na maioria idosos, junto das mulheres e crianças. Disso aproveitou-se uma tribo inimiga para atacar, com maior número de guerreiros. Os 22 homens remanescentes teriam então se armado de curtos bastões de pau e enfrentado os invasores, demonstrando tanta coragem que conseguiram pô-los em debandada. Quando retornaram os outros guerreiros, tomaram conhecimento do ocorrido e promoveram grande festa, na qual os 22 homens demonstraram a forma pela qual combateram os invasores. O episódio passou então a ser comemorado freqüentemente pelos membros da tribo, enriquecido com música característica e movimentos corporais peculiares. A dança seria assim uma homenagem à coragem daqueles bravos guerreiros.
No início do século XX, com a morte dos grandes mestres do Maculelê de Santo Amaro da Purificação, o folguedo deixou de constar, por muitos anos, das festas da padroeira. Até que, em 1943, apareceu um novo mestre – Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê, considerado por muitos como o “pai do Maculelê no Brasil”. Mestre Popó reuniu parentes e amigos, a quem ensinou a dança, baseando-se em suas lembranças, pretendendo incluí-la novamente nas festas religiosas locais. Formou um grupo, o “Conjunto de Maculelê de Santo Amaro”, que ficou muito conhecido.
É nos estudos desenvolvidos por Manoel Querino (1851-1923) que se encontram indicações de que o Maculelê seria um fragmento do Cucumbi, dança dramática em que os negros batiam roletes de madeira, acompanhados por cantos. Luís da Câmara Cascudo, em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, aponta a semelhança do Maculelê com os Congos e Moçambiques. Deve-se citar também o livro de Emília Biancardi, “Olelê Maculelê”, um dos mais completos estudos sobre o assunto.

Hoje em dia, o Maculelê se encontra integrado na relação de atividades folclóricas brasileiras e é freqüentemente apresentado nas exibições de grupos de capoeira, grupos folclóricos, colégios e universidades.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Puxada de Rede




O teatro folclórico que retrata a puxada de rede, conta a história de um pescador que ao sair para o mar em plena noite para fazer o sustento da
família, despede-se de sua mulher que, em mau pressentimento, preocupa-se com a partida do marido e o assusta dizendo dos perigos de sair à
noite, mas o pescador sai e deixa-a a chorar, e os filhos assustados.
O pescador sai para o mar e leva consigo uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, seus companheiros de pesca e a bênção de Deus.
Muito antes do horário previsto para a volta dos pescadores, que seria às cinco horas da manhã, a mulher do pescador, que ficou na praia esperando a hora do arrasto, teve uma visão um tanto quanto estranha. Ela vê o barco voltando com todos à bordo muito tristes e alguns até chorando. Quando os pescadores desembarcam, ela dá pela falta do marido e os pescadores dizem a ela que ele caiu no mar por conta de um descuido e que devido à escuridão da noite, não foi possível encontrá-lo, ficando ele perdido na imensidão das águas.
Ao amanhecer, quando foram fazer o arrasto da rede que ficara no mar, os pescadores notaram que por ter sido aquela uma noite de pouca pesca, a rede estava pesada demais. Ao chegar todo o arrasto à praia, já com dia claro, todos viram no meio dos poucos peixes que vieram, o corpo do
pescador desaparecido. A tristeza foi instantânea e o desepero tomou conta de todos ali presentes.
Prossegue-se então os rituais fúnebres do pescador sendo levado à sua morada eterna pelos amigos que estavam com ele no mar, sendo seu corpo carreagado nos ombros, pois a situação financeira não comportaria a compra de uma urna, o cortejo segue pela praia.

sábado, 5 de março de 2011

Quilombo dos Palmares - Verdades e Mitos


Acervo The Newberry Library, Chicago.



Poucas são as imagens de Palmares realizadas durante a existência do
assentamento. Este desenho holandês de 1647 representa uma cena cotidiana:
pescadores recolhem a rede, próximo a uma das torres de vigilância do quilombo.


Túlio Vilela*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Comunidades fundadas por escravos de origem africana que conseguiram fugir de seus senhores. Assim, podemos definir os quilombos que existiram no Brasil e em todas as outras partes do continente americano onde houve a exploração do trabalho de escravos de origem africana. O que mudou foi apenas o nome: quilombos ou mocambos nas áreas de colonização portuguesa (Brasil); maroons nas áreas de colonização inglesa (exemplo: sul dos atuais Estados Unidos), palenques nas áreas de colonização espanhola (exemplos: Cuba e Colômbia) e grand marronage, nas áreas de colonização francesa (exemplo: Haiti)..... leia o texto completo através do link:

http://rapidshare.com/files/451095780/Quilombo_dos_Palmares-_Verdades_e_mitos.doc


sexta-feira, 4 de março de 2011

Parabéns a todas as mulheres capoeiristas pelo Dia Internacional da Mulher


Capoeira Mulheres Desde a Antigüidade, na Grécia, eram poupadas as mulheres qualquer ligação com áreas relacionadas ao conhecimento e pensamento, já que os papéis materno e caseiro lhe eram designados. Analisando o contexto histórico da capoeira, é possível apontar a importância do sexo feminino no conteúdo cultural e na estruturação da capoeiragem. A partir daí a participação das mulheres foi tornando-se mais evidente e intensa, porém acoplada a um sentido estereotipado de masculinidade diante da marginalização daqueles que praticavam a capoeira. A marginalização seria uma das razões pela qual as mulheres continuam sendo alvo de atitudes preconceituosas e que questionam seu potencial e suas capacidades físicas.

Nestor capoeira (1999) interpreta depoimentos de mulheres capoeiristas do Grupo Senzala em reunião. As mulheres capoeiristas presentes nesta reunião levantaram o problema da falta de documentação sobre a história da mulher na capoeira, a qual, certamente, contribuiria com pesquisas e estudo a respeito. Porém sabe-se que durante a época do brasil Colonial, consta em sua história, mesmo que de forma pouco precisa, alguns registros de mulheres jogando capoeira. A República do Quilombo dos Palmares contava com mulheres guerreiras para sua resistência, e, a repercussão dessas mulheres se nivelou a dos homens escravos.
"(...) mulheres tão marginalizadas quanto os homens capoeiristas, assim como toda a cultura e o povo negro daquela época".(capoeira, 1999, p. 182).
Há fatores que implicam, desde o início, na participação de mulheres na capoeira. A desunião e competitividade entre mulheres são mais acentuadas, pois, provavelmente, lhe faltem maturidade e sensatez ao entender a significância da capoeira e o que ela representa como esporte e manifestação cultural.

"(...) uma mulher capoeirista deveria ser a primeira a incentivar outra capoeirista e isto nem sempre ocorria". (capoeira, 1999, p. 183).

Essa agressividade entre as mulheres que praticam capoeira provém da herança de gerações que apresentam esse tipo de relação, porém essa realidade vem mudando através da dedicação das mulheres. De acordo com capoeira (1999, p. 186) "Várias idéias, antigas e estereotipadas, caíram por terra. A primeira é que capoeira é coisa ‘só de homem’. Outro mito que naufragou é que a capoeira masculiniza a mulher (...)".
São vários os motivos que levam mulheres a praticar a capoeira, desde a estética, saúde e bem-estar proporcionados até o rumo profissionalizante e educativo. É interessante observar o quanto a participação feminina na capoeira em escolas, clubes, academias e outros locais, tem se tornado mais evidente na quantidade, da qual destacam-se mulheres qualificadas tecnicamente e profissionalmente.

A princípio, compreende-se que o objetivo da persistência de algumas mulheres dentro da capoeira é se formarem profissionais e mestras, porém, devido ao fato de se próprio subestimarem, elas desacreditam que outras mulheres e, principalmente homens, treinariam sob sua liderança. Essa carência de apoio podem partir de seus mestres, do local de trabalho, dos relacionamentos profissionais e/ou até, das estratégias bloqueadoras da sociedade.

Recentemente, tem se promovido e divulgado muitos eventos e encontros femininos de capoeira, o que apresenta, aparentemente uma posição de destaque no meio capoeirístico, mas que na verdade é um indício de preconceito e exclusão da mulher, de forma que ela se sobressai isoladamente. Além disso, nos eventos exclusivamente femininos nota-se uma agressividade maior entre as mulheres. Para melhor entender, basta trocarmos os papéis: dificilmente, para não dizer nunca, foi divulgado um evento exclusivamente masculino, com o propósito de somente homens participarem.

No final do ano de 2002, fiz uma entrevista com uma profissional de capoeira, praticante há 15 anos aproximadamente, quando constatei diferenças entre os gêneros referente a postura e comportamento adotados pelo homem e pela mulher, num sentido generalizado. Foi colocado em questão a seriedade da mulher com a prática da capoeira em relação ao homem e através disso, foi possível afirmar que geralmente os homens se apresentam mais receptivos, interessados e, até, persistentes diante o aprendizado que a capoeira tem a oferecer.

Além disso, ao referir-se a promoção de eventos exclusivamente femininos a nossa entrevistada citou desvantagens que os encontros femininos as mulheres proporcionam, pois nestes momentos as mulheres demonstram muitas divergências dentro da roda de capoeira, pois tornam-se agressivas entre si ao sentirem a necessidade de provar o seu potencial, e aceitam com dificuldades levar algumas desvantagens durante um jogo dentro.

Outro fato tão importante quanto os demais em relação ao desempenho da mulher na capoeira é a interrupção dos treinamentos, pois podem diminuir a performance da mulher para a atividade de capoeira. A gravidez pode ser um fator forte neste aspecto, pois pode haver implicações na performance e se a mulher não tiver determinação e gosto pela capoeira ela não irá se profissionalizar nesta área e, nem mesmo, dará continuidade aos seus treinamentos.

Mesmo sendo relativamente menor o número de profissionais do sexo feminino na atividade de capoeira a mulher tem ocupado seu espaço e dado a sua parcela de contribuição para a sociedade e, em especial, para o aprendizado da capoeira.
Abaixo está representada a proporção de homens e mulheres profissionais em capoeira no estado do Paraná, de acordo com a Federação Paranaense de capoeira.

Na representação ao lado é evidente a diferença dos índices entre homens e mulheres profissionais da capoeira e vale ressaltar que, neste Estado, dentre as mulheres não mestras, mas mestres entre os homens. O que vale é a proporção já mostrada, mas é evidente que deve ser levado em consideração que a minoria dos profissionais em capoeira são federados. Talvez isso ocorra porque esta questão envolve divergências quanto às propostas da Federação; rivalidades entre mestres e grupos, questões financeiras e a organização de grupos distintos de capoeira, onde cada um segue uma filosofia diferenciada embasada em suas tradições.

Para Couto (1999), infelizmente a liberdade de ascensão do sexo feminino é inibida por questões preconceituosas, apesar das mulheres serem capazes de apresentarem um alto nível de desenvolvimento dentro da capoeira sem se igualarem ao sexo masculino.
Carolina Valentim "Pezinho"


Leia Mais: A Mulher e a Capoeira | Capoeira Mulheres - Capoeira no portalcapoeira.com


Capoeira Mulheres Desde a Antigüidade, na Grécia, eram poupadas as mulheres qualquer ligação com áreas relacionadas ao conhecimento e pensamento, já que os papéis materno e caseiro lhe eram designados. Analisando o contexto histórico da capoeira, é possível apontar a importância do sexo feminino no conteúdo cultural e na estruturação da capoeiragem. A partir daí a participação das mulheres foi tornando-se mais evidente e intensa, porém acoplada a um sentido estereotipado de masculinidade diante da marginalização daqueles que praticavam a capoeira. A marginalização seria uma das razões pela qual as mulheres continuam sendo alvo de atitudes preconceituosas e que questionam seu potencial e suas capacidades físicas.

Nestor capoeira (1999) interpreta depoimentos de mulheres capoeiristas do Grupo Senzala em reunião. As mulheres capoeiristas presentes nesta reunião levantaram o problema da falta de documentação sobre a história da mulher na capoeira, a qual, certamente, contribuiria com pesquisas e estudo a respeito. Porém sabe-se que durante a época do brasil Colonial, consta em sua história, mesmo que de forma pouco precisa, alguns registros de mulheres jogando capoeira. A República do Quilombo dos Palmares contava com mulheres guerreiras para sua resistência, e, a repercussão dessas mulheres se nivelou a dos homens escravos.
"(...) mulheres tão marginalizadas quanto os homens capoeiristas, assim como toda a cultura e o povo negro daquela época".(capoeira, 1999, p. 182).
Há fatores que implicam, desde o início, na participação de mulheres na capoeira. A desunião e competitividade entre mulheres são mais acentuadas, pois, provavelmente, lhe faltem maturidade e sensatez ao entender a significância da capoeira e o que ela representa como esporte e manifestação cultural.

"(...) uma mulher capoeirista deveria ser a primeira a incentivar outra capoeirista e isto nem sempre ocorria". (capoeira, 1999, p. 183).

Essa agressividade entre as mulheres que praticam capoeira provém da herança de gerações que apresentam esse tipo de relação, porém essa realidade vem mudando através da dedicação das mulheres. De acordo com capoeira (1999, p. 186) "Várias idéias, antigas e estereotipadas, caíram por terra. A primeira é que capoeira é coisa ‘só de homem’. Outro mito que naufragou é que a capoeira masculiniza a mulher (...)".
São vários os motivos que levam mulheres a praticar a capoeira, desde a estética, saúde e bem-estar proporcionados até o rumo profissionalizante e educativo. É interessante observar o quanto a participação feminina na capoeira em escolas, clubes, academias e outros locais, tem se tornado mais evidente na quantidade, da qual destacam-se mulheres qualificadas tecnicamente e profissionalmente.

A princípio, compreende-se que o objetivo da persistência de algumas mulheres dentro da capoeira é se formarem profissionais e mestras, porém, devido ao fato de se próprio subestimarem, elas desacreditam que outras mulheres e, principalmente homens, treinariam sob sua liderança. Essa carência de apoio podem partir de seus mestres, do local de trabalho, dos relacionamentos profissionais e/ou até, das estratégias bloqueadoras da sociedade.

Recentemente, tem se promovido e divulgado muitos eventos e encontros femininos de capoeira, o que apresenta, aparentemente uma posição de destaque no meio capoeirístico, mas que na verdade é um indício de preconceito e exclusão da mulher, de forma que ela se sobressai isoladamente. Além disso, nos eventos exclusivamente femininos nota-se uma agressividade maior entre as mulheres. Para melhor entender, basta trocarmos os papéis: dificilmente, para não dizer nunca, foi divulgado um evento exclusivamente masculino, com o propósito de somente homens participarem.

No final do ano de 2002, fiz uma entrevista com uma profissional de capoeira, praticante há 15 anos aproximadamente, quando constatei diferenças entre os gêneros referente a postura e comportamento adotados pelo homem e pela mulher, num sentido generalizado. Foi colocado em questão a seriedade da mulher com a prática da capoeira em relação ao homem e através disso, foi possível afirmar que geralmente os homens se apresentam mais receptivos, interessados e, até, persistentes diante o aprendizado que a capoeira tem a oferecer.

Além disso, ao referir-se a promoção de eventos exclusivamente femininos a nossa entrevistada citou desvantagens que os encontros femininos as mulheres proporcionam, pois nestes momentos as mulheres demonstram muitas divergências dentro da roda de capoeira, pois tornam-se agressivas entre si ao sentirem a necessidade de provar o seu potencial, e aceitam com dificuldades levar algumas desvantagens durante um jogo dentro.

Outro fato tão importante quanto os demais em relação ao desempenho da mulher na capoeira é a interrupção dos treinamentos, pois podem diminuir a performance da mulher para a atividade de capoeira. A gravidez pode ser um fator forte neste aspecto, pois pode haver implicações na performance e se a mulher não tiver determinação e gosto pela capoeira ela não irá se profissionalizar nesta área e, nem mesmo, dará continuidade aos seus treinamentos.

Mesmo sendo relativamente menor o número de profissionais do sexo feminino na atividade de capoeira a mulher tem ocupado seu espaço e dado a sua parcela de contribuição para a sociedade e, em especial, para o aprendizado da capoeira.
Abaixo está representada a proporção de homens e mulheres profissionais em capoeira no estado do Paraná, de acordo com a Federação Paranaense de capoeira.

Na representação ao lado é evidente a diferença dos índices entre homens e mulheres profissionais da capoeira e vale ressaltar que, neste Estado, dentre as mulheres não mestras, mas mestres entre os homens. O que vale é a proporção já mostrada, mas é evidente que deve ser levado em consideração que a minoria dos profissionais em capoeira são federados. Talvez isso ocorra porque esta questão envolve divergências quanto às propostas da Federação; rivalidades entre mestres e grupos, questões financeiras e a organização de grupos distintos de capoeira, onde cada um segue uma filosofia diferenciada embasada em suas tradições.

Para Couto (1999), infelizmente a liberdade de ascensão do sexo feminino é inibida por questões preconceituosas, apesar das mulheres serem capazes de apresentarem um alto nível de desenvolvimento dentro da capoeira sem se igualarem ao sexo masculino.
Carolina Valentim "Pezinho"


Leia Mais: A Mulher e a Capoeira | Capoeira Mulheres - Capoeira no portalcapoeira.com






Capoeira Mulheres Desde a Antigüidade, na Grécia, eram poupadas as mulheres qualquer ligação com áreas relacionadas ao conhecimento e pensamento, já que os papéis materno e caseiro lhe eram designados. Analisando o contexto histórico da capoeira, é possível apontar a importância do sexo feminino no conteúdo cultural e na estruturação da capoeiragem. A partir daí a participação das mulheres foi tornando-se mais evidente e intensa, porém acoplada a um sentido estereotipado de masculinidade diante da marginalização daqueles que praticavam a capoeira. A marginalização seria uma das razões pela qual as mulheres continuam sendo alvo de atitudes preconceituosas e que questionam seu potencial e suas capacidades físicas.

Nestor capoeira (1999) interpreta depoimentos de mulheres capoeiristas do Grupo Senzala em reunião. As mulheres capoeiristas presentes nesta reunião levantaram o problema da falta de documentação sobre a história da mulher na capoeira, a qual, certamente, contribuiria com pesquisas e estudo a respeito. Porém sabe-se que durante a época do brasil Colonial, consta em sua história, mesmo que de forma pouco precisa, alguns registros de mulheres jogando capoeira. A República do Quilombo dos Palmares contava com mulheres guerreiras para sua resistência, e, a repercussão dessas mulheres se nivelou a dos homens escravos.
"(...) mulheres tão marginalizadas quanto os homens capoeiristas, assim como toda a cultura e o povo negro daquela época".(capoeira, 1999, p. 182).
Há fatores que implicam, desde o início, na participação de mulheres na capoeira. A desunião e competitividade entre mulheres são mais acentuadas, pois, provavelmente, lhe faltem maturidade e sensatez ao entender a significância da capoeira e o que ela representa como esporte e manifestação cultural.

"(...) uma mulher capoeirista deveria ser a primeira a incentivar outra capoeirista e isto nem sempre ocorria". (capoeira, 1999, p. 183).

Essa agressividade entre as mulheres que praticam capoeira provém da herança de gerações que apresentam esse tipo de relação, porém essa realidade vem mudando através da dedicação das mulheres. De acordo com capoeira (1999, p. 186) "Várias idéias, antigas e estereotipadas, caíram por terra. A primeira é que capoeira é coisa ‘só de homem’. Outro mito que naufragou é que a capoeira masculiniza a mulher (...)".
São vários os motivos que levam mulheres a praticar a capoeira, desde a estética, saúde e bem-estar proporcionados até o rumo profissionalizante e educativo. É interessante observar o quanto a participação feminina na capoeira em escolas, clubes, academias e outros locais, tem se tornado mais evidente na quantidade, da qual destacam-se mulheres qualificadas tecnicamente e profissionalmente.

A princípio, compreende-se que o objetivo da persistência de algumas mulheres dentro da capoeira é se formarem profissionais e mestras, porém, devido ao fato de se próprio subestimarem, elas desacreditam que outras mulheres e, principalmente homens, treinariam sob sua liderança. Essa carência de apoio podem partir de seus mestres, do local de trabalho, dos relacionamentos profissionais e/ou até, das estratégias bloqueadoras da sociedade.

Recentemente, tem se promovido e divulgado muitos eventos e encontros femininos de capoeira, o que apresenta, aparentemente uma posição de destaque no meio capoeirístico, mas que na verdade é um indício de preconceito e exclusão da mulher, de forma que ela se sobressai isoladamente. Além disso, nos eventos exclusivamente femininos nota-se uma agressividade maior entre as mulheres. Para melhor entender, basta trocarmos os papéis: dificilmente, para não dizer nunca, foi divulgado um evento exclusivamente masculino, com o propósito de somente homens participarem.

No final do ano de 2002, fiz uma entrevista com uma profissional de capoeira, praticante há 15 anos aproximadamente, quando constatei diferenças entre os gêneros referente a postura e comportamento adotados pelo homem e pela mulher, num sentido generalizado. Foi colocado em questão a seriedade da mulher com a prática da capoeira em relação ao homem e através disso, foi possível afirmar que geralmente os homens se apresentam mais receptivos, interessados e, até, persistentes diante o aprendizado que a capoeira tem a oferecer.

Além disso, ao referir-se a promoção de eventos exclusivamente femininos a nossa entrevistada citou desvantagens que os encontros femininos as mulheres proporcionam, pois nestes momentos as mulheres demonstram muitas divergências dentro da roda de capoeira, pois tornam-se agressivas entre si ao sentirem a necessidade de provar o seu potencial, e aceitam com dificuldades levar algumas desvantagens durante um jogo dentro.

Outro fato tão importante quanto os demais em relação ao desempenho da mulher na capoeira é a interrupção dos treinamentos, pois podem diminuir a performance da mulher para a atividade de capoeira. A gravidez pode ser um fator forte neste aspecto, pois pode haver implicações na performance e se a mulher não tiver determinação e gosto pela capoeira ela não irá se profissionalizar nesta área e, nem mesmo, dará continuidade aos seus treinamentos.

Mesmo sendo relativamente menor o número de profissionais do sexo feminino na atividade de capoeira a mulher tem ocupado seu espaço e dado a sua parcela de contribuição para a sociedade e, em especial, para o aprendizado da capoeira.
Abaixo está representada a proporção de homens e mulheres profissionais em capoeira no estado do Paraná, de acordo com a Federação Paranaense de capoeira.

Na representação ao lado é evidente a diferença dos índices entre homens e mulheres profissionais da capoeira e vale ressaltar que, neste Estado, dentre as mulheres não mestras, mas mestres entre os homens. O que vale é a proporção já mostrada, mas é evidente que deve ser levado em consideração que a minoria dos profissionais em capoeira são federados. Talvez isso ocorra porque esta questão envolve divergências quanto às propostas da Federação; rivalidades entre mestres e grupos, questões financeiras e a organização de grupos distintos de capoeira, onde cada um segue uma filosofia diferenciada embasada em suas tradições.

Para Couto (1999), infelizmente a liberdade de ascensão do sexo feminino é inibida por questões preconceituosas, apesar das mulheres serem capazes de apresentarem um alto nível de desenvolvimento dentro da capoeira sem se igualarem ao sexo masculino.
Carolina Valentim "Pezinho"


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Capoeira Mulheres Desde a Antigüidade, na Grécia, eram poupadas as mulheres qualquer ligação com áreas relacionadas ao conhecimento e pensamento, já que os papéis materno e caseiro lhe eram designados. Analisando o contexto histórico da capoeira, é possível apontar a importância do sexo feminino no conteúdo cultural e na estruturação da capoeiragem. A partir daí a participação das mulheres foi tornando-se mais evidente e intensa, porém acoplada a um sentido estereotipado de masculinidade diante da marginalização daqueles que praticavam a capoeira. A marginalização seria uma das razões pela qual as mulheres continuam sendo alvo de atitudes preconceituosas e que questionam seu potencial e suas capacidades físicas.

Nestor capoeira (1999) interpreta depoimentos de mulheres capoeiristas do Grupo Senzala em reunião. As mulheres capoeiristas presentes nesta reunião levantaram o problema da falta de documentação sobre a história da mulher na capoeira, a qual, certamente, contribuiria com pesquisas e estudo a respeito. Porém sabe-se que durante a época do brasil Colonial, consta em sua história, mesmo que de forma pouco precisa, alguns registros de mulheres jogando capoeira. A República do Quilombo dos Palmares contava com mulheres guerreiras para sua resistência, e, a repercussão dessas mulheres se nivelou a dos homens escravos.
"(...) mulheres tão marginalizadas quanto os homens capoeiristas, assim como toda a cultura e o povo negro daquela época".(capoeira, 1999, p. 182).
Há fatores que implicam, desde o início, na participação de mulheres na capoeira. A desunião e competitividade entre mulheres são mais acentuadas, pois, provavelmente, lhe faltem maturidade e sensatez ao entender a significância da capoeira e o que ela representa como esporte e manifestação cultural.

"(...) uma mulher capoeirista deveria ser a primeira a incentivar outra capoeirista e isto nem sempre ocorria". (capoeira, 1999, p. 183).

Essa agressividade entre as mulheres que praticam capoeira provém da herança de gerações que apresentam esse tipo de relação, porém essa realidade vem mudando através da dedicação das mulheres. De acordo com capoeira (1999, p. 186) "Várias idéias, antigas e estereotipadas, caíram por terra. A primeira é que capoeira é coisa ‘só de homem’. Outro mito que naufragou é que a capoeira masculiniza a mulher (...)".
São vários os motivos que levam mulheres a praticar a capoeira, desde a estética, saúde e bem-estar proporcionados até o rumo profissionalizante e educativo. É interessante observar o quanto a participação feminina na capoeira em escolas, clubes, academias e outros locais, tem se tornado mais evidente na quantidade, da qual destacam-se mulheres qualificadas tecnicamente e profissionalmente.

A princípio, compreende-se que o objetivo da persistência de algumas mulheres dentro da capoeira é se formarem profissionais e mestras, porém, devido ao fato de se próprio subestimarem, elas desacreditam que outras mulheres e, principalmente homens, treinariam sob sua liderança. Essa carência de apoio podem partir de seus mestres, do local de trabalho, dos relacionamentos profissionais e/ou até, das estratégias bloqueadoras da sociedade.

Recentemente, tem se promovido e divulgado muitos eventos e encontros femininos de capoeira, o que apresenta, aparentemente uma posição de destaque no meio capoeirístico, mas que na verdade é um indício de preconceito e exclusão da mulher, de forma que ela se sobressai isoladamente. Além disso, nos eventos exclusivamente femininos nota-se uma agressividade maior entre as mulheres. Para melhor entender, basta trocarmos os papéis: dificilmente, para não dizer nunca, foi divulgado um evento exclusivamente masculino, com o propósito de somente homens participarem.

No final do ano de 2002, fiz uma entrevista com uma profissional de capoeira, praticante há 15 anos aproximadamente, quando constatei diferenças entre os gêneros referente a postura e comportamento adotados pelo homem e pela mulher, num sentido generalizado. Foi colocado em questão a seriedade da mulher com a prática da capoeira em relação ao homem e através disso, foi possível afirmar que geralmente os homens se apresentam mais receptivos, interessados e, até, persistentes diante o aprendizado que a capoeira tem a oferecer.

Além disso, ao referir-se a promoção de eventos exclusivamente femininos a nossa entrevistada citou desvantagens que os encontros femininos as mulheres proporcionam, pois nestes momentos as mulheres demonstram muitas divergências dentro da roda de capoeira, pois tornam-se agressivas entre si ao sentirem a necessidade de provar o seu potencial, e aceitam com dificuldades levar algumas desvantagens durante um jogo dentro.

Outro fato tão importante quanto os demais em relação ao desempenho da mulher na capoeira é a interrupção dos treinamentos, pois podem diminuir a performance da mulher para a atividade de capoeira. A gravidez pode ser um fator forte neste aspecto, pois pode haver implicações na performance e se a mulher não tiver determinação e gosto pela capoeira ela não irá se profissionalizar nesta área e, nem mesmo, dará continuidade aos seus treinamentos.

Mesmo sendo relativamente menor o número de profissionais do sexo feminino na atividade de capoeira a mulher tem ocupado seu espaço e dado a sua parcela de contribuição para a sociedade e, em especial, para o aprendizado da capoeira.
Abaixo está representada a proporção de homens e mulheres profissionais em capoeira no estado do Paraná, de acordo com a Federação Paranaense de capoeira.

Na representação ao lado é evidente a diferença dos índices entre homens e mulheres profissionais da capoeira e vale ressaltar que, neste Estado, dentre as mulheres não mestras, mas mestres entre os homens. O que vale é a proporção já mostrada, mas é evidente que deve ser levado em consideração que a minoria dos profissionais em capoeira são federados. Talvez isso ocorra porque esta questão envolve divergências quanto às propostas da Federação; rivalidades entre mestres e grupos, questões financeiras e a organização de grupos distintos de capoeira, onde cada um segue uma filosofia diferenciada embasada em suas tradições.

Para Couto (1999), infelizmente a liberdade de ascensão do sexo feminino é inibida por questões preconceituosas, apesar das mulheres serem capazes de apresentarem um alto nível de desenvolvimento dentro da capoeira sem se igualarem ao sexo masculino.
Carolina Valentim "Pezinho"


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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A verdadeira história da criação da luta regional Bahiana de Mestre Bimba

Por: Esdras Magalhães dos Santos – Mestre Damiâo

Tenho comparecido a algumas exibições e encontros de Capoeira e
em contato com alguns capoeiristas, sempre ouço um comentário de que
a Luta Regional do Mestre Bimba teve a sua origem influenciada pelo
método do antigo e ilustre capoeirista do Rio de Janeiro ANNIBAL
BURLAMAQUI (ZUMA). ..... leia o texto na íntegra atráves do link abaixo:

http://rapidshare.com/files/444521936/LUTA_REGIONAL_BAHIANA_DO_MESTRE_BIMBA.pdf

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crônicas da capoeiragem (Pedro Adib)

Nas próximas semanas serão postados em nosso blog textos e artigos da coluna Crônicas da Capoeiragem, escritos pelo professor Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) que é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Para inauguramos essa coluna, o texto escolhido foi:

Cobrinha Verde: O discípulo de Besouro

Cobrinha Verde: O discípulo de Besouro

Por Pedro Adib

Muito se diz sobre Besouro Mangangá. Muitas histórias, feitos, crendices. Pouco se sabe sobre sua vida de capoeirista, se procurava transmitir seus conhecimentos na capoeiragem, se tinha alunos. Muitos mestres antigos reivindicam inclusive parentesco com Besouro. Porém, do que se tem conhecimento, somente um reivindica ter sido seu aluno. Estamos falando do famoso Cobrinha Verde.

Em Santo Amaro, onde nasceu e cresceu, muitas outras pessoas o ensinaram capoeira, entre eles também os famosos Espinho Remoso, Canário Pardo e Siri de Mangue, mas segundo ele, foi com Besouro que aprendeu o principal. Nascido Rafael Alves França, Cobrinha Verde recebeu esse apelido de Besouro pela sua agilidade e destreza com as pernas, que era tanta que, em certa feita, ele enfrentou sozinho oito policiais com um facão de 18 polegadas, segundo conta o próprio.

Mestre Cobrinha Verde: o discípulo de Besouro Cobrinha Verde sai de Santo Amaro e ganha o mundo, mudando de cidade em cidade, procurando pouso em casas de parentes e em bandos de cangaceiros do sertão, como o de Horácio de Matos. Muitas aventuras, muitas cidades e amores até voltar para a Bahia

E, como todo mundo sabe, capoeira é boa pra se defender, mas não livra ninguém de bala, nem de morte, por isso fortalecer suas defesas com fé e orações foi o caminho escolhido por Cobrinha Verde. Conta Cobrinha que ele possuía um breve, também conhecido como patuá, que o livrava de muitos problemas. Como da vez que dispararam contra ele uma enorme quantidade de balas, e ele desviou todas na ponta de seu facão. Essas mandingas ele aprendeu em Santo Amaro com o velho Pascoal, um africano que era vizinho da sua avó, e segundo contava Cobrinha, esse breve que possuía era vivo e ficava pulando, quando era deixado num prato virgem, depois de utilizado por ele. Mas certo dia, conta Cobrinha, que o breve foi embora e o deixou, depois de um erro que ele havia cometido

Ter sido aluno de Besouro Mangangá é um privilégio para poucos, e assim ensinar se tornava um chamado da arte. Em 1937 começa a ensinar de graça, como gostava de enfatizar, na Fazenda Garcia, depois de ter saído do exército. Nessa época convivia com Bimba e outros capoeiras famosos como Aberrê. Mas com o passar dos anos e morte de muitos dos seus contemporâneos, ele foi o mais velho capoeirista em atividade no brasil, e um dos únicos a conhecer a técnica de jogar com navalhas entre os dedos do pé.

Na sua vida de professor, muitos capoeiras famosos beberam na fonte desse mestre; João Grande é um deles, que diz ter treinado com ele no Chame-Chame nos domingos pela manhã. Como dividia trabalhos com Pastinha, outros capoeiras como João Pequeno também beberam da fonte desse mestre. Como conta mestre João Grande, freqüentavam esses treinos também Gato Preto, Didi, Bom Cabrito, Rege de Santo Amaro, entre outros.

Vida e obra de um capoeira nesse mundo não são reconhecidas, então o maior medo de um capoeira como Cobrinha Verde, era morrer a míngua como Pastinha e Bimba. Sua profissão de pedreiro tinha rendido uma mísera aposentadoria, que não dava pra nada, mas que pelo menos não o deixava na mão. Sua fé também ajudava a não adoecer. O capoeira pra ter uma boa velhice, tem que trabalhar com outras coisas e não só viver da arte... Ô mundo injusto!







Po

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O apito de Pato N´água




Geraldo Filme: Contemporâneo de Pato N´água e grande compositor do samba Paulista

O cara era mesmo uma fera. Bom de dar pernada na tiririca, Pato era um malandro completo. Um negrão alto, forte e valente. E como bom bamba que era, Geraldo Filme conta que Pato era cheio de "comadrinhas" por aí. E foi num dia que o homem foi visitar suas moçoilas que o bicho pegou. Pato alugou um táxi e começou a rodar a cidade. Visitou uma aqui, tomou um café acolá, bateu um papo noutra esquina. Enfim, ficou o dia todo com o mesmo motorista que acabou desconfiando e avisando a polícia. Como já naquela época o pessoal atira primeiro pra depois perguntar, Pato acabou dançando. Em uma manhã de 1969 foi encontrado morto em uma lagoa de Suzano.

"O laudo dava infarte. Mas de susto não morreu porque era bravo. Afogado também não porque era Pato N´Àgua porque nadava bem demais", lembra Geraldo Filme, "Aí o motorista do carro funerário disse pra mim, o Carlão do Peruche: 'Dá uma olhada na japona dele que ela tá com uns furos meio estranhos' Aí quando o Carlão pegou a japona, o dedo dele já entrou no buraco. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver, mas não tinha marca de furo. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver e não tinha marca de furo. Aí explicaram pra gente que se foi baioneta ou punhal, na água fecha".

Pra contar o final da história, Plínio Marcos, em um texto que saiu no dia 13 de fevereiro de 1977 na Folha de S. Paulo: "O que se sabe é que a notícia chegou no Bexiga à tardinha, na hora da Ave-Maria, e logo correu pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. E por todas as quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, o povão chorou a morte do sambista Pato Nágua. E o Geraldão da Barra Funda, legítimo poeta do povo, chorou por todos num bonito samba chamado Silêncio no Bexiga".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O samba de roda e suas origens

O Samba de Roda, como o próprio nome diz, se caracteriza por uma roda em que as mulheres, e também os homens, começam a sambar de tal forma, que todos os capoeiristas presentes acabam entrando no samba. As rodas são sempre animadas e cheias de alto astral e nelas, as mulheres mostram toda sua sensualidade de uma maneira graciosa.


Geralmente, o Samba de roda começa após o encerramento das rodas de capoeira gerando a descontração de todos. Na Bahia, o Samba de Roda é feito em diversos lugares e ocasiões, porém, são muito comentadas aquelas que acontecem nas festas de largo de Salvador.

Em alguns terreiros de samba de candomblé como o da Mãe Alice (na Bahia), o Samba de Roda pode ser visto e apreciado na sua forma mais tradicional. As famosas baianas da Mãe Alice como Nita, Edinha, Marinalva, Joselita, entre outras, fizeram parte da chamada TURMA DE BIMBA, nos anos 50 e 60.

O Samba de Angola (toque) só é usado para a execução do samba de roda e do samba duro. No samba de roda da angola, enquanto os instrumentos tocam, o povo dança, à maneira dos africanos, aos pares ou em grupo.

No samba duro, que só é permitido para homens, enquanto sambam aplicam rasteiras entre si.

Samba de roda é uma variante musical mais primitiva do samba. É um estilo musical tradicional afro-brasileiro, associado a uma dança que por sua vez está associada à capoeira. É tocado por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, acompanhado principalmente por canto e palmas. Sendo um legado da cultura afro e transmitida através das escolas de capoeira. O Samba de roda não é um estilo de Capoeira, mas é uma dança que está dentro da aprendizagem do Capoeirista.

O Samba de Roda no Recôncavo Baiano, é uma mistura de música, dança, poesia e festa. Presente em todo o estado da Bahia, o samba é praticado, principalmente, na região do Recôncavo. Mas o ritmo se espalhou por várias partes do país, sobretudo Pernambuco e Rio de Janeiro. Em muitos eventos de Capoeira podemos ver uma bela demonstração de Samba de Roda.

Foi um meio dos negros enfrentarem a perseguição policial e a rejeição social, que via nas manifestações culturais negras uma suposta violação dos valores morais, atribuindo a elas desde a simples algazarra até a supostos rituais demoníacos, imagem distorcida que os racistas atribuíram ao candomblé, que na verdade era a expressão religiosa dos povos negros, de inegável importância para seu povo.



Origens

O samba teria surgido por inspiração, sobretudo de um ritmo africano, o Semba, e teria sido formado a partir de referências dos mais diversos ritmos tribais africanos.

Note-se que a diversidade cultural, mesmo dentro da raça negra no Brasil, era bastante notável, porque os senhores de escravos escolhiam aleatoriamente seus indivíduos, e isso tanto fez separarem tipos africanos afins, pertencentes a uma mesma tribo, quanto fez juntarem tipos africanos diferentes, alguns ligados a tribos que eram hostis em seu continente original.

Isso transformou seriamente o ambiente social dos negros, não bastasse o novo lugar onde passariam a viver, e isso influenciou decisivamente na originalidade da formação do samba brasileiro, com a criação de formas musicais dentro de um diferente e diverso contexto social. O Samba de roda também é muito semelhante com o jongo.

Samba é uma palavra provavelmente procedente do Quimbundo: semba, que significa umbigada, empregada para designar uma dança de roda popular no Brasil. Músicas essas dançadas pelos escravos e que se desenvolveram em uma área que vai do Maranhão até São Paulo.

Semba (Sem: Paga – Ba: Não Pago), conta à lenda que um filho havia roubado o pai, depois de muita procura o pai encontrou o filho, onde fizeram uma discussão, o pai cobrava o filho: PAGA, e o filho respondia: NÃO PAGO. Então essa conversa em repetida ficava SEMBA, SEMBA, SEMBA, o povo que assistia a conversa começaram a bater palmas, dando um sentido musical para aquela discussão, daí nasce o SEMBA, logo o SAMBA. Então, a família para lembrar do ocorrido, todos os anos faziam aquele ritmo, porque afinal o pai perdoou o filho que pagou, ou seja, devolveu o que havia roubado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A história da Capoeira Paulistana


Por Erika Alexandra Balbino

São Paulo, capital cosmopolita e cultural do país, tem sempre um lugar tímido quando se fala em cultura regional. Pouco se discute, até mesmo entre os próprios paulistanos, sobre o choro, o samba regional, os abolicionistas de Santos e São Vicente, as congadas e tantas outras manifestações populares.

A cultura negra, através dos anos, mesmo numa capital como São Paulo, metrópole, esmagadora de minorias, e de culturas subalternas, a capoeira deixou sua marca. Dos escravos aos estivadores do porto de Santos que subiam a serra pra jogar tiririca no Largo da Banana, hoje Barra Funda. Dos sambistas do Bexiga, onde morava o temido apitador Pato n`Água, exímio jogador de tiririca, aos professores de capoeira que trabalham como educadores da Febem, instituição para menores da cidade. Os grandes baianos, hoje também paulistanos que difundiram a cultura de seu estado por onde passaram.

São Paulo e capoeira? Sim, São Paulo seria talvez a última cidade que poderia servir como referência para um resenha sobre capoeira, mas é justamente por esse prisma novo, que traremos um rico trabalho histórico de como era a vida escrava na capital, seus hábitos e costumes, as lutas regionais, a capoeira, a influência da capoeira no futebol, a chegada da Luta Regional Baiana de Mestre Bimba à São Paulo, e a participação de grandes sambistas na construção da capoeira local, e a influência da cultura baiana na capital.

A metrópole que não relata com riqueza as suas tradições, sempre foi pano de fundo para os inúmeros anônimos que fizeram a história da negritude na capital. Os arraiais, as periferias, os negros escravos, os açoites para punir aqueles que ousavam praticar a luta de escravos em vias públicas. Do período colonial até o momento atual, traçaremos um paralelo de como culturas consideradas minorias, e a arte da capoeira como cultura subalterna, conseguiram sobreviver, adaptar-se para não morrer.

Já em 1835, antes mesmo do Decreto Nacional de 1890 que proibia a prática da capoeira em todo o país, a capital paulistana já registrava de 25 a 30 açoites decorrentes da prática da capoeira, no Largo dos Aflitos, onde hoje se encontra a Praça da Liberdade, e onde, para o assombro de muitos, era o Pelourinho da Capital. Sim a Capital tinha um Pelourinho, e o nome Aflitos, dava-se ao cemitério que se encontrava ao lado, onde até hoje se encontra a Capela das Almas Aflitas.

Basicamente a capoeira paulistana se divide em três períodos. O primeiro, A Capoeira Escrava, é da época do fluxo de escravos provindos da Bahia trazidos para os canaviais paulistas, e a influência dos quilombos de Pai Felipe e do Jabaquara, ambos na baixada santista, na capital. O mais importante a ressaltar certamente é uma seqüência de manuscritos sobre a proibição da capoeira na capital. O primeiro deles é assinado pelo Presidente da Província, Antônio Joaquim Xavier da Costa. O documento encontrado por nossa equipe de pesquisa, que data de 17 de novembro de 1832, proíbe a prática do jogo de escravos conhecido vulgarmente como capoeira na capital.

Uma nova Postura Municipal se atrela a essa última com data de 11 de março de 1833, determinando de 25 a 50 açoites, ainda pagando 3 mil réis de multa, para aqueles que desobedecessem a postura. Em 15 de novembro de 1834 novamente o Presidente da Província, então Excelentíssimo senhor Thobias de Aguiar, faz um novo manuscrito onde reclama da continuidade de pessoas jogando capoeira nas vias da capital.

Esses fatos ilustram a resistência da repressão na cidade, a manifestação e a expressão do povo negro, quiçá de ex-escravos.

O segundo período A capoeira e o Samba, revela que a cidade de São Paulo não é e nem nunca foi o túmulo do samba e muito menos da capoeira. Nas décadas de 30 e 40 as lutas regionais de resistência na cidade eram conhecidas por pernada e tiririca. Em cada canto da cidade existia um foco. No Bexiga era a turma de Patro N´Agua, no Largo do Peixe no Tatuapé era o Senhor Nenê de Vila Mathilde. Na Praça da sé eram os engraxatres da tiririca, Osvaldinho da Cuíca, Germano Mathias. No Largo da Banana, hoje Barra Funda, eram os estivadores vindos de Santos. Dentre os inúmeros anônimos que fizeram parte dessa história estão Osvaldinho da Cuíca, Senhor Nenê de Vila Matilde, Germano Mathias, Toniquinho Batuqueiro, Pato n´Agua, Paulo Cunha, entre outros.

Essas comunidades do samba, hoje conhecidas como “Escolas” se encontravam no Largo do Paissandu, onde fica a Igreja Nossa Senhora dos Homens Negros. Plínio Marcos também era freqüentador do Paissandu. Era ali que entre um copo e outro, escolhia capoeiras para suas peças de teatro e para o circo. Espetáculos folclóricos montados por Solano Trindade com capoeiras como Ananias (BA) e Paulo Cunha (SP) também eram exibidos ali ao lado na Galeria Olido.

O terceiro e último período, A chegada dos grandes baianos, começa com a visita de Mestre Bimba a cidade de São Paulo em fevereiro e março de 1949 para demonstrações públicas no Estádio do Pacaembu. Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, foi o baiano que criou a capoeira hoje popularmente chamada de capoeira regional, e que conseguiu do então Presidente Getúlio Vargas, a autorização para a prática da capoeira, tirando-a do código penal. As apresentações de Bimba lotaram por uma semana o Estádio do Pacaembu e sua passagem pela capital foi amplamente coberta pela imprensa. Bimba parte de São Paulo após receber uma proposta para que a capoeira enfrentasse a luta livre, muito em voga na época. Bimba aceita, mas só se for pra valer. Na real. Os produtores então, que queriam uma marmelada insistem, e Bimba que era homem de palavra, vai embora e faz o jogo duro na cidade do Rio de Janeiro.

Posteriormente à visita de Mestre Bimba, começam a chegar na capital, grandes capoeiras baianos como os Mestres, Suassuna, Ananias, Limão, Silvestre, Brasília, que divulgam amplamente a modalidade e propagam a prática da capoeira em academias fechadas, além de levá-la de São Paulo para o mundo. Esses baianos instalados na capital criam um verdadeiro consulado informal da Bahia. Tornam-se referência para a comunidade e para outros capoeiras. Passam por dificuldades e alguns chegam a São Paulo em plena época de ditadura militar como Mestre Suassuna de Itabuna. Essas pessoas fizeram através da capoeira, uma ampla divulgação da cultura, da culinária, dos termos de linguagem, dos costumes e transformaram São Paulo em uma plataforma para a divulgação da capoeira para o exterior.

Assim como São Paulo traz uma mistura de paulistanos e nordestinos, baianos e mineiros, ricos e pobres, a capoeira a todos une sem distinção, proporcionando a agradável sensação de liberdade e valorização da auto-estima. Em uma roda de capoeira, o pedreiro baiano pode jogar com o médico paulistano, o intelectual baiano pode jogar com o menino analfabeto da favela. Essas qualificações deixam de existir ao momento do toque do São Bento Grande. Na roda de capoeira, o Mestre, quem comanda, é o berimbau e só ele, é capaz de distinguir quem está na roda.

Esses anônimos, estivadores, engraxates, sambistas, compositores têm uma paixão única: brincar com o corpo ao som de música. São verdadeiros ícones da memória paulistana e a história de cada um, mesmo dos grandes Mestres baianos na cidade, nunca foi explorada como se deve simplesmente por causa do regionalismo: estamos falando de São Paulo. Um contraponto para uma cidade que é considera pólo cultural do país.

Do tempo em que São Paulo ainda tinha chão de terra batida, capoeiras de matos ralos e arraiais ao invés de arranha-céus, criaremos um paralelo com as grandes periferias, cortiços, mostrando os anônimos que hoje tiram as crianças e jovens do crime através da capoeira como disciplinadora e educadora.

Resgatar essas histórias, essas pessoas, esse passado e contá-lo para a posteridade é mais do que uma necessidade, é um verdadeiro prazer. São Paulo e seu povo, e aqueles que foram imprescindíveis na construção da cidade e de sua identidade multi-racial e multi-cultural, merecem esse reconhecimento.